Artur de Sá Menezes

Natural de Salvador, Artur de Sá Menezes nasceu a 10 de dezembro de 1867 e faleceu a 16 de março de 1941. Era filho de Argemiro de Souza Menezes e Maria Cândida de Sá Menezes, primos entre si. Realizou exames preparatórios em sua cidade natal, mas, não havendo, à época, ensino de Engenharia na Bahia, matriculou-se, em 1884, na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Seu curso transcorreu sob a influencia natural das idéias abolicionistas e republicanas que dominavam o ambiente acadêmico naquela época e, embora tivesse em suas origens ligações com a Monarquia, descendente que era de Manuel Inácio da Cunha Menezes, Visconde de Rio Vermelho, senador do Império e presidente da Província, fundou, na companhia de outros acadêmicos, dentre os quais Ildefonso Simões Lopes, que viria a ser ministro da Agricultura, e José Luiz Mendes Diniz, também baiano e seu grande amigo desde o inicio dos tempos de estudante, o “Centro Republicano”, importante agremiação em defesa da instituição da República, com atuação marcante na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Formado, retornou à Bahia, iniciando sua carreira profissional como engenheiro da Estrada de Ferro Bahia-Minas. E em seguida ingressou na Secretaria de Agricultura, Indústria, Comércio, Viação e Obras Públicas, onde, em diversas ocasiões, assumiu o cargo de secretário interino. Elaborou a reforma do Código Florestal e, em 1908, juntamente com Teodoro Sampaio e Júlio Brandão, integrou a comissão encarregada da elaboração da Carta da Bahia, até então o mais completo mapa do Estado, contribuição para a Exposição Nacional Comemorativa do Centenário de Abertura dos Portos às Nações Amigas, depois impressa por iniciativa do então ministro de Viação e Obras Públicas, Miguel Calmon Du Pin e Almeida. No exercício da profissão de engenheiro, consolidou uma imagem de técnico respeitado, pautando suas ações dentro de severos princípios morais. Também dedicou-se ao progresso rodoviário, participando, ativamente, da Conferência Rodoviária realizada na Bahia, em 1927, quando formulou a proposta de criação da Caixa de Viação, embrião do que viria a ser mais tarde, na década de 40, o Fundo Rodoviário Nacional, importante mecanismo de financiamento da expansão rodoviária brasileira. A convite de Arlindo Fragoso, integrou, em 1897, o grupo seleto de engenheiros fundadores da Escola Politécnica da Bahia, revelando-se um dos principais colaboradores, com atuação marcante durante 30 anos, seja em sala de aula, onde ensinou Cartografia, Estradas, Pontes e Abastecimento d’ Água, seja pela sua presença destacada nas reuniões da Congregação. Era, entretanto, inegavelmente um homem de grande valor intelectual, tanto assim que atuou em inúmeras outras associações culturais e cientificas, a exemplo do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura.

